quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CARPE DIEM - aproveite o tempo

Carpe Diem

As coisas antigas já passaram (II Co 5.17)

Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes (*)

 

O professor de literatura retira seus alunos da sala. Em um corredor do colégio mostra-lhes fotos em alguns quadros. Pessoas que antes estudaram no mesmo lugar. Paradas, fixadas, imóveis sobre o papel. Todas estavam mortas. Ontem foram elas..., hoje somos nós. Esta foi a primeira lição de literatura: Carpe Diem. Colha o dia. Aproveite o dia. Ele passa. Aproveite o momento. Ele não volta. Aproveite o momento, pois ele é único. Não retorna, a sua beleza é incomparável, pois não se repete: antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço (Ec 12.6).

 

O tempo foge. Ele desvanece. Repete o salmista: tudo passa rapidamente e nós voamos (Sl 90.10). Chega mesmo a imaginar que nós somos como um breve pensamento. O tempo compara-se às folhas do outono que vão caindo e dizendo: Tarde demais! Tarde demais! Como o entardecer a nos lembrar que o dia morre, a cores vão se desfazendo como se dissessem: Adeus! Obrigando-nos a contemplar do alto da montanha o abismo frente a frente. A solidão do abismo nos dá vertigem.

 

Neste lugar, neste momento, no entardecer, no outono do viver é que se destaca a sabedoria do Evangelho a nos lembrar: as coisas antigas já passaram. Passaram com as suas marcas. Passaram e não nos podem mais ditar o modo de viver. Passaram e não voltam. Passaram, desvaneceram e eis que se fizeram coisas novas, diz Paulo. Por isso, aproveite o dia. Aproveite o momento. Aproveite as coisas novas que Deus está fazendo. Não se prenda ao passado e suas dores. Não se prenda ao que não pode mais voltar. Ressoa a voz do profeta que diz: Já o tens ouvido; olha para tudo isto; porventura, não o admites? Desde agora te faço ouvir coisas novas e ocultas, que não conhecias (Isaías 48:6).

 

Aproveite as coisas novas de Deus em Cristo. Aproveite o dia. Sorva o momento. Ele é belo e incomparável. Por ser belo, desfaz-se, acaba. Viva este momento sem medo da vertigem. Contemple o entardecer, ele é lindo. Suba a montanha, pois a melhor vista é sempre no seu cume. Carpe diem!

 


* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; e Arcediago Sul-Sudeste do Brasil. Contato: ivoxavieroliver@ig.com.br.

 


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